Eleições

Eleições suplementares no município de Tefé: Teve até “promoção” de passagem de barco

Publicado em Atualizado em

por Valmir Lima, do blog D24AM*

A eleição suplementar para a escolha do prefeito de Tefé foi uma das mais disputadas dos últimos anos, mas a disputa acirrada também revelou um festival de irregularidades, que incluiu até a concessão de passagens de barco para quem queria ir de Manaus. Na quarta-feira passada, no porto de Manaus, aliados de um dos candidatos ofereciam passagens pela metade do preço (R$ 50) para quem quisesse votar em Tefé e para parentes dos votantes. Na quinta-feira, o barco que chegou a Manaus às 5h, iniciou a viagem de volta às 8h – algo inédito, porque em situação de normalidade, ele retornaria só no sábado. Inúmeros passageiros que já estavam em outro barco, que também saiu na quinta-feira para Tefé, mudaram-se para o ‘barco do candidato’. Na chegada a Tefé, a fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava no porto para tentar confirmar alguma irregularidade. Os dois barcos que saíram na quinta-feira chegaram ao destino às 5h, mas os passageiros foram impedidos de desembarcar. Por amostragem, os fiscais conferiam as passagens. Nada foi encontrado de irregular. Tudo muito bem planejado e executado. Na cidade de Tefé, no sábado que antecedeu a eleição, o festival de irregularidades foi no trânsito: duas carreatas, uma do candidato Papi (PMDB) e outra de Wiseman (PR), paralisaram a cidade. Nos dois eventos, caminhões-caçambas, caminhões e picapes trafegavam com dezenas de pessoas nas carrocerias, inclusive crianças e adolescentes. As centenas de carros e motocicletas andavam na contramão e a polícia se mantinha bem distante. No dia da eleição, a cidade amanheceu calma, apenas alguns fogos de artifício pareciam querer acordar os eleitores. Em algumas casas, ouvia-se a música de um dos candidatos que se tornou uma febre (literalmente, porque ninguém aguentava mais ouvi-la). Nas ruas e nas sessões eleitorais a cidade de Tefé nem parecia o ‘inferno’ do dia anterior. O barco O barco em que fizemos a viagem a Tefé revelou-se uma afronta à autoridade da Marinha. Com capacidade para 292 passageiros, desatracou do porto com quase 400. Sem espaço para armar as redes, os passageiros colocavam umas por cima das outras e ocupavam os corredores laterais. As pessoas idosas eram obrigadas a curvar-se até próximo do chão para ir aos banheiros. Quem está acostumado a viajar nem estranhou: é sempre assim, diziam. A Capitania dos Portos nem deu as caras e o barco partiu como se o excesso de passageiros fosse a coisa mais normal do mundo.

*fonte: http://blogs.d24am.com/valmirlima/2011/01/24/a-eleicao-em-tefe/

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