Indígenas

SAÚDE – ÍNDIGENAS EM TRATAMENTO EM LÁBREA PASSAM FOME POR DESCASO DA SESAI

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Pacientes com doenças como tuberculose e malária alojados na Casai recebem apenas comida vindas de doaçoes de terceiros, como missionários ou comerciantes.

Manaus, 01 de Agosto de 2011

Pacientes indígenas com tuberculose e malária em tratamento no município de Lábrea (a 701 quilômetros de Manaus) por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) estão sem alimentação e água potável desde junho. Alojados na Casa de Saúde Indígena (Casai), os aproximadamente 50 pacientes e acompanhantes consomem apenas as refeições doadas por terceiros, como comerciantes e missionários, ou alimentos conseguidos por indígenas que moram na zona urbana de Lábrea, no sul do  Amazonas. As populações da região de Lábrea são atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Médio Purus, órgão subordinado à Sesai. A Casai fica localizada na rodovia Transamazônica. Na região do Médio Purus há 96 aldeias de 14 etnias diferentes, como apurinã, parintintin, paumari, jamamadi, katukina e deni. José Raimundo Pereira Lima, indígena da etnia apurinã e coordenador executivo da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Purus (Focimp) disse que os pacientes só tomam café, almoçam ou jantam quando alguém faz doação. “Algumas vezes a gente mesmo leva, quando sai pedindo por aí ou consegue pescar aqui no rio na frente da cidade”, disse Lima, por telefone, de Lábrea. Lima afirmou que em junho passado a Sesai chegou a realizar uma
intervenção no Dsei do Médio Purus, mas nenhuma medida efetiva foi tomada. “O interventor Gustavo Nolasco Xavier esteve aqui e ficou apenas uma semana. Só fez promessas. Disse que iria ter um tal de pregão para comprar comida e até agora nada. Ele voltou para Brasília e nunca mais conseguimos contato. A equipe que veio com ele esteve em uma aldeia apenas para fazer atendimento de saúde, durante três dias, e agora está tudo na mesma”, disse Lima.Conforme a liderança indígena, o atendimento realizado nas aldeias durante a passagem de Xavier se restringiu a três dias, em apenas uma comunidade, a Marrecão. O indígena Mureci Macuvi, da etnia Deni, 42, acompanha sua esposa Eliana Bucuré, 35, em tratamento de tuberculose.

“A situação está muito ruim. Há mais de um mês a gente só consegue comer porque tem os missionários que nos ajudam. Tem muito ´parente´ passando mal. Ontem (domingo) ficamos o dia todo sem comer. Hoje eu só consegui porque vim aqui na casa de um amigo. Meu cunhado conseguiu um frango para assar e dar para minha esposa e meus três filhos que também estão na Casai”, disse Mureci.

Eliana Bucuré está em tratamento desde março em Lábrea. Mas, outros pacientes, segundo o coordenador-executivo da Focimp, tiveram que interromper o tratamento e voltaram para suas aldeias. Um pesquisador que trabalha em Lábrea disse que a falta de estrutura do Dsei do Médio Purus e a ausência do Estado na área leva faz com que os indígenas sejam “dependentes das ações paternalistas e assistencialistas das missões evangélicas”. Ele falou que os indígenas também não têm acesso a transporte para retornar às suas aldeias, problema que se agrava quando suas embarcações têm algum problema.

Sesai

Em nota oficial, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde disse que o órgão encaminhou a Lábrea (AM) uma equipe técnica para o diagnóstico de gestão, atenção e assistência aos indígenas. A partir deste levantamento, que já está finalizado, uma nova equipe de técnicos da Sesai colocará, ainda esta semana, em prática um plano de ação emergencial para organização do saneamento, gestão e atenção, com prazos curtos pré-definidos em parceria com o controle social. Esta ação contará com a parceria do Dsei de Porto Velho (RO), que dará suporte logístico para o Dsei de Lábrea. Segundo a assessoria, o Dsei Porto Velho foi escolhido em virtude da maior proximidade geográfica (4 horas de carro) do que o Dsei Manaus, que anteriormente era o distrito de referência para o suporte ao Dsei de Lábrea. Assim, os profissionais de gestão do DSEI Porto Velho ajudarão na organização dos contratos para compra de alimentos, veículos, licitações e pregões, etc. Neste plano de trabalho, o Dsei Porto Velho, ainda essa semana, adotará todas as medidas necessárias para compra e fornecimento emergenciais de alimentos para a Casai de Lábrea. A equipe de atenção organizará ainda as ações de atenção básica, com escalas de intervenção em área e deslocamento para ações de saúde nas aldeias.

do Jornal a Crítica

foto: FOCIMP

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Tapauá – Polícia prende estelionatária que lesava indígenas há pelo menos 3 anos

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A agricultora Cinete Vicente da Silva, acusada de estelionato, teria feito uma movimentação bancária de pelo menos R$ 200 mil em empréstimos ilegais. Maioria das vítimas são indígenas da etnia Apurinã

Tapauá, 25 de junho de 2011

A Policia Militar, com colaboração da FUNAI, CIMI e a Organização Indígena FOCIMP, desmascarou uma estelionatária que vinha atuando no município de Tapauá desde ano de 2008. A investigação começou no mês de abril do corrente ano, quando a senhora Rosa Souza da Silva Apurinã, de 60 anos, procurou a equipe do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) para que fosse denunciado o ocorrido. D. Rosa Apurinã vinha há mais de 03 anos sendo lesada e enganada por uma procuradora conhecida como Cinete , que retirava seu beneficio de aposentadoria e não lhe repassava nada e ainda fez 02 empréstimos nos valores de 3.000,00 e 4.500,00 reais. No dia 15/06/11 voltamos a delegacia para procurar saber como estava a situação do processo, e fomos informados pelo delegado que iria pedir do Juiz uma ORDEM DE BUSCA E APREENSÃO, na casa da suposta estelionatária, tão logo fosse realizado essa busca iniciaria o inquérito, já tinha procurado essa senhora e a mesma negava as acusações, que era procuradora de mais de 15 pessoas. A Policia Militar através do delegado SGT. Rildo da Costa Santos e juntamente com o CB. Said e SD. Martins realizaram uma operação de busca e apreensão na casa da senhora Cinete Vicente da Silva e foram encontradas várias procurações, registro de nascimento Civil, Carteira de identidade, CPF, cartões magnéticos do Banco Bradesco e senhas de contas. A acusada na hora da operação trancou-se no quarto e começou a rasgar vários documentos, mas foram encontradas 15 procurações em seu favor, de indígenas da etnia Apurinã, todas as procurações de pessoas que recebem aposentadoria.

Alem disso foi encontrado na sua residência um boletim de ocorrência nº 1294/2010 do dia 15/10/2010 da delegacia Regional de Manacapuru, onde a mesma declara que senhora Rosa Souza da Silva Apurinã desapareceu da embarcação Silviane que estava na sua companhia e provavelmente estaria morta, mas uma mentira que a senhora Cinete inventou, pois a senhora Rosa está viva e é a denunciante. Além da senhora Rosa, a outra indígena conhecida como Santilha Apurinã ambas da comunidade indígena São João que foi mais uma vitima da senhora Cinete, que fez mais de 4 empréstimos nos valores 2.000,00, 800,00, 1.041,00 e 3.215,84 onde comprometeu todo o seu beneficio de aposentadoria.

Por Edilson Pinheiro & Vazos do Purus

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Agricultora desvia dinheiro de aposentadoria de índios no AM e ainda simula morte de um deles

 

Ribeirinhos e indígenas de Lábrea querem regularizar pesca sustentável

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Lábrea (AM) – Uma das principais demandas de povos indígenas, ribeirinhos e extrativistas do sul do Amazonas, a sustentabilidade da atividade pesqueira, será tema de um grande evento que acontece entre os dias 15 e 17 de junho, em Lábrea: “Seminário sobre Pesca Sustentável”, promovido pelo Projeto Aldeias, um consórcio OPAN e Visão Mundial. Durante o evento, representantes da Colônia de Pescadores Z-11 de Lábrea, da Associação de Pescadores (APEL), da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (Resex Médio Purus e Resex Ituxi) e indígenas do rio Tapauá terão a oportunidade de expor as questões mais relevantes em relação à pesca, e propor alternativas para a solução de disputas na região. Essas representações, assim como a Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP), o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Coordenação Regional da Funai Purus e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), constituem um grupo de trabalho formado após a passagem da Operação Arco Verde, que nos últimos meses têm tido importantes discussões sobre estratégias visando a sustentabilidade da pesca.Também confirmaram presença integrantes do Ministério da Pesca, ICMBio, Funai e Núcleo de Pesca da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS), que debaterão a regulamentação, as leis e as perspectivas de acordos de pesca no Médio Purus. Lábrea tem enorme potencial para o aproveitamento da pesca dentro e fora de terras indígenas e reservas extrativistas, que cercam a zona urbana da cidade. No entanto, não há registro de licenciamento ambiental para a atividade pesqueira, situação que requer regulamentação para o uso responsável dos recursos naturais na região. Por este motivo, as discussões do seminário envolverão mais do que apenas a regularização do setor, mas o modelo de desenvolvimento que se deseja para o sul do Amazonas, que tem apresentado taxas alarmantes de desmatamento para expansão da fronteira agropecuária. “O seminário pretende dar os primeiros passos no processo de fortalecimento e da sustentabilidade da cadeia pesqueira do Médio Purus, diante das transformações sociais e econômicas que incidem sobre esta região”, explica Miguel Aparicio, gestor executivo do Projeto Aldeias. Confira a programação:

Dia 15 de junho (quarta-feira)

MANHÃ

08:00-09:00 – Credenciamento

09:00-09:30 – Abertura do Seminário MESA 1: Situação da Pesca Sob Uma Perspectiva dos Atores Locais

09:30-12:00 · Colônia de Pescadores Z-11 de Lábrea · Associação dos Pescadores de Lábrea (APEL) · Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (RESEX Médio Purus) · Representantes indígenas da Foz do rio Tapauá

12:00 – Almoço

TARDE

MESA 2: Apresentação de Diagnósticos da Pesca na Região

14:00 – 16:15 · Ministério da Pesca e Aqüicultura (MPA – Brasília) · Operação Amazônia Nativa (OPAN) · Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS/AM)

16:15-16:30 – Intervalo

16:30-17:00 – Apresentação Zoneamento – SDS/AM

17:00-17:15 – Debate

17:30-18:00 – Considerações Finais e Encerramento do Primeiro Dia

Dia 16 de Junho (quinta-feira)

MANHÃ

MESA 3: Regulamentação, Leis e Perspectivas sobre Acordos de Pesca na Região do Purus

08:00-10:30 · ICMBio · FUNAI · IBAMA · IPAAM

10:30-10:45 – Intervalo

10:45-12:00 – Debate 12:00 – Almoço

TARDE

MESA 4: Infraestrutura para a Cadeia Sustentável da Pesca

14:00-14:30 – Sustentabilidade X Projetos de Infraestrutura

14:30-15:00 – Arco Verde

15:00-15:30 – Secretaria Municipal de Produção de Lábrea/AM

15:30-16:00 – Debate

16:00-16:15 – Intervalo

16:15-16:45 – Câmara Municipal

16:45-17:15 – Banco do Amazonas

17:15-17:45 – SEPA/SEPROR

17:45-18:00 – Encerramento do Segundo Dia

Dia 17 de Junho (sexta-feira)

MANHÃ

MESA 5: Experiências em Busca da Sustentabilidade

08:00-10:30 · OPAN · Instituto Piagaçu-Purus · Acordo de Pesca Médio Solimões – Colônia de Pesca Z-23

10:30-10:45 – Intervalo

10:45-12:00 – Continuação das Apresentações

12:00 – Almoço

TARDE

Sistematização, Síntese e Encaminhamentos

14:00 – Sistematização, Síntese e Encaminhamentos à | Grupos de trabalho | Debates | Propostas de Continuação dos Trabalhos e Diálogo entre as Instituições |

17:00 – Encerramento

                                                                            (da assessoria de emprensa da Opan)