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A verdade sobre as pesquisas eleitorais que vai te deixar espantado

E se eu te dissesse que 80 pessoas podem decidir previamente em quem 200 milhões irão votar? E se eu te dissesse que votando, você está decidindo não só esta eleição, mas a próxima?

Sim, é exatamente isso. Coisas estranhas acontecem em período eleitoral, com a divulgação das pesquisas de intenção de votos. Talvez você já tenha percebido que as pesquisas de intenção de voto criam um efeito harmônico que se propaga pela sociedade e coloca todos para dançar uma música estranha, que imaginam estar cantando juntos. Como naquelas vezes em que andamos com alguém e acabamos fazendo um trajeto misterioso, simplesmente para acompanhar a outra pessoa, e sem saber que ela estava também simplesmente nos acompanhando.

Pesquisas eleitorais criam uma harmonia que se propaga pela sociedade e coloca todos para dançar.

Gráfico maluco publicado pela Folha de S. Paulo em 19 de setembro desse ano. A imagem foi posteriormente corrigida.

Isso é um pensamento comum. Mas a verdade possui vários andares, e se olharmos o edifício inteiro – o que inclui um vasto subsolo – veremos que as coisas são bem mais estranhas do que parecem.

Vamos supor que em determinado país, com 1 milhão de habitantes, um instituto de pesquisas seja contratado para fazer uma pesquisa de intenções de voto para cinco candidatos ao cargo de Presidente da nação. Este instituto, obviamente, não entrevistará cada um dos 1 milhão de habitantes do país, o que seria caro e impossível (e tornaria, na verdade, a eleição desnecessária). Em vez disso o instituto faria o que todos os institutos fazem: escolheria uma amostra representativa e variada, de um número adequado de pessoas, e conduziria a entrevista só com elas, esperando que essa amostra corresponda o melhor possível ao conjunto da população. No caso deste país do exemplo, o instituto decide que apenas mil pessoas, de diferentes lugares e com diferentes características, já está de bom tamanho.

As pessoas são entrevistadas e o resultado aparece: 50% dos entrevistados votarão no candidato A, 30% votarão no candidato B, e o restante fica dividido entre C, D, E, branco, nulo ou indeciso. A pesquisa é publicada no jornal, causando comoção. Todos falam sobre ela. Os que torcem pelo candidato A pulam de alegria: somados os votos de todos os outros, mesmo assim ele ganha. Os que torciam por B entram e desespero e partem para o tudo-ou-nada. Quem vota em C, D e E migra para A ou B, para ter alguma chance de interferir no processo eleitoral, preocupados em “não jogar o voto fora”. Vários indecisos se decidem. Os votos tomam a sua forma final na cabeça das pessoas.

Talvez você não tenha percebido, Neo, mas neste instante uma coisa bastante curiosa ocorreu. Um pensamento que, observado com mais calma, vai te mostrar uma coisa espantosa.

O voto de duzentos milhões de habitantes (a população do Brasil, em 2013), é como algo etéreo, incerto, em suspensão no plano das ideias. Relativamente poucos já possuem seu voto definido de início – de regra, apenas aqueles que possuem uma ligação mais forte com algum partido, o que não é o caso do eleitor médio brasileiro. Os demais contemplam possíveis votos, em diferentes candidatos, com níveis diferentes de consideração em diferentes momentos da corrida eleitoral. Como o famoso experimento mental do Gato de Schrödinger, que só descobrimos vivo ou morto ao abrir a caixa, existindo de fato nos dois estados ao mesmo tempo até que a observação elimine a incerteza, o voto também tem essa característica heisenbergiana. Enquanto estou escrevendo este texto, cogito em quem votarei, e a incerteza só se esvairá completamente quando o maldito botão verde for apertado.

Mas, como disse, não só eu faço isso: a maioria da população também é assim. E aqui está o ponto. Literalmente centenas de milhões de votos pairam “no éter”, se solidificando em passos bruscos, principalmente pela observação de resultados de pesquisas de opinião de… quatro mil pessoas.

Não quero dizer, com isso, que quatro mil pessoas têm o poder de decidir o que duzentos milhões farão. Não, Neo, o buraco do coelho é mais profundo ainda. Um número muito MENOR de pessoas já tem esse poder.

Supomos que o candidato A tem 49% de votos, o candidato B tem 25% de votos e o candidato C tem 24% dos votos. Aqui a situação é mais delicada: uma diferença de mísero 1% impede o candidato A de vencer já no primeiro turno. Da mesma forma, uma diferença de 1% impede o candidato C de ir ao 2° turno. O que acontece?

Pode ocorrer uma debandada dos potenciais eleitores de C, que “não querendo jogar o voto fora”, votam em A ou B, para “influir de verdade na democracia”. Um voto em C, pensam, é como atirar o Coração do Oceano no fundo do mar. Um voto é precioso, e deve ser útil.

O que eles falham em ver – estas DEZENAS DE MILHÕES de eleitores falham em ver – é que estão se acovardando perante a mera opinião de… apenas 80 pessoas, o número real que corresponde àqueles 2% na amostragem dos entrevistados. Dezenas de milhões de eleitores solidificam seu voto e abandonam seu candidato por causa da opinião (que nem é tão sólida assim, elas podem muito bem estar dando uma resposta casual e provisória ao entrevistador) de meros 80 pedestres. Opinião que, vejam só, pode ser ela mesma uma resposta influenciada por uma pesquisa anterior. E aquela por outra, e aquela por uma outra ainda, colhida quando os entrevistados nem conheciam bem os candidatos, e todos, com a exceção de um ou dois, eram apenas meros nomes estranhos.

Esse é o poder catalisador das pesquisas, que instituem, aos poucos, uma profecia auto-realizável. As pesquisas desenham as raias por que corremos, balizam nosso processo de formação de opinião, fazem e destroem candidatos.

Esse é o poder catalisador das pesquisas, que instituem, aos poucos, uma profecia auto-realizável.

Bom, como sei que a esta hora os estatísticos devem estar malucos de raiva comigo, deixem-me explicar: não estou dizendo que tendências prévias não existem, e que os princípios da estatística estão errados, longe disso. Apenas estou dando um enfoque material ao processo de decisão.

Mas eu tenho uma segunda pílula. E se eu te dissesse que abandonando o voto no seu candidato do coração para obedecer ao destino escolhido a você por aquelas 80 pessoas, você está votando também na próxima eleição? Sim, aquela, daqui a 4 anos?

Vamos supor que você goste de sanduíches. Você ama sanduíches. De noite, assolado por uma vontade incontrolável de comer sanduíches, você vai à lanchonete mais próxima na esperança de matar a fome com sua iguaria favorita.

Chegando lá você olha ao redor, e todos estão comendo pizzas. Ninguém, em mesa alguma, está comendo sanduíches. Você olha no cardápio, e só pizzas. Desolado, você chega no atendente e pede…uma pizza.

A pergunta é: por que você não pediria sanduíches? A sua vontade é de comer sanduíches. Você poderia dizer ao atendente “seria muito bom se vocês servissem também sanduíches”, e ninguém sairia ferido. Na verdade, você sairia com a mesma coisa (uma pizza), mas o atendente sairia com uma coisa adicional muito valiosa: a informação de que você gosta de sanduíches.

Aliás, várias das pessoas que estão ali podem estar comendo pizzas apenas porque não haviam sanduíches sendo oferecidos. E os sanduíches não são oferecidos justamente porque, ao pedir apenas pizzas, as pessoas não sinalizam ao dono do estabelecimento que de fato sanduíches teriam também uma ótima aceitação.

Reclamamos que sempre nos são oferecidas as mesmas opções, mas o fato é que não sinalizamos aos partidos que estamos abertos a outras.

Troque o exemplo das pizzas e sanduíches por tipos de candidatos e propostas políticas, e imagine o atendente e o dono do restaurante como os partidos. Reclamamos que sempre nos são oferecidas as mesmas opções, mas o fato é que não sinalizamos aos partidos que estamos abertos a outras. No exemplo dos 2%, acima: se todos abandonarem suas intenções de votar em C e votarem em A e B, no final C não terá de fato quase nada. A eleição, em si, é uma pesquisa, e a mais fiel. Os partidos, no futuro, se lembrarão disso na hora de lançar candidatos, fazer alianças e negociarem apoio: o candidato C (apesar de ser querido por 24%) é um “candidato de 1%”.

pesquisa-eleitoral

Mesmo que um candidato não tenha chances de ganhar uma eleição, há proveito em manter o voto nessa pessoa: é informação útil passada aos partidos. Acreditar que vai jogar o voto fora (mesmo com a certeza de que seu candidato não vai para o 2º turno) é um pensamento simplista demais. Não há vergonha em “perder” a eleição. Ninguém cobrará de nós que nosso candidato não foi adiante.

Seu voto, seja em quem for, é um sinalizador: sinaliza a existência de um público que concorda com aquele programa.

Seu voto, seja em quem for, é um sinalizador: sinaliza a existência de um público que concorda com aquele programa. Se o candidato acabar o primeiro turno com 25%, 10% ou mesmo 5%, mesmo que não vá para o segundo turno, isso sinaliza à classe política a existência de um público com aqueles valores, o que faz os partidos mudarem seus programas e ações naquele sentido.

A política muda para oferecer produtos (candidatos) que canalizem certas demandas eleitorais. Se não sinalizarmos a demanda, só nos serão oferecidas sempre as mesmas opções – afinal, para que oferecer sanduíches, se só compramos pizzas?

Douglas Donin

Especialista em Direito Internacional e graduando em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, já foi ditador da Latvéria e inimigo de estelionatários neopentecostais no site “Duvido”. Escreve também no Ano Zero.

Fonte: http://papodehomem.com.br/a-verdade-sobre-as-pesquisas-eleitorais-que-vai-te-deixar-espantado/

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Como funcionam, ou deveriam funcionar, os três poderes: Legistativo, Executivo e Judiciário

Como advogado militante, tenho a impressão de que a administração pública enxerga o cidadão sempre como uma parte contrária, nunca como sua própria razão de ser.

Queria abrir um parênteses entre nós e me permitir sonhar um pouco. Já imaginou um partido político que não estivesse interessado em nenhuma outra forma de poder senão o exercício pleno do cargo legislativo? Um partido que não almejasse administrar o país, o Estado e os Municípios, mas simplesmente legislar e fiscalizar os atos do Poder Executivo?

Eu particularmente acredito muito nessa ideia.

Mas seja para criticar minha impressão sobre a administração pública enxergar o cidadão como parte contrária ou para sonhar com outras formas de se fazer política, precisamos antes entender como funcionam as coisas. Ou nos tornamos ativistas de sofá.

No primeiro texto da série “Para entender política“, tratei brevemente da separação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Portanto, a noção geral você já tem: o Executivo administra, o Legislativo cria normas e o Judiciário julga conflitos.

Essa separação não é tão estanque, e, por vezes, o Legislativo julga e o Executivo legisla.

O propósito deste texto, o quarto da série, é avançar um pouco mais nesse assunto e esclarecer como este assunto também pode aprimorar sua opinião política.

Como funciona o Legislativo

A Câmara dos Deputados

O Brasil adota um processo legislativo bicameral, ou seja, ele se fraciona em duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, que, juntos, formam o Congresso Nacional.

A Constituição Federal nos diz que a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, enquanto que o Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal.

Assim, não é bem verdade quando se diz que os todos os políticos nos representam, pelo menos do ponto de vista jurídico. Os Deputados Federais, que ocupam a Câmara dos Deputados, sim, representam os cidadãos. Já a função dos Senadores é de atuar em defesa dos Estados que os elegeram, e não diretamente em defesa da população.

Como já sabemos, a função primordial do Legislativo é produzir normas. Seria muito legal discutir o processo legislativo completo, mas talvez isso valha um texto exclusivo pois, além de longa, a discussão pressupõe conhecimento básico sobre a hierarquia das normas no ordenamento jurídico, o que ainda não incluí na série de textos Para entender política.

Por ora, fique com a ideia de que o processo legislativo difere para diferentes tipos de normas e pode envolver diferentes quóruns de aprovação, sessões de votação separadas ou conjuntas das casas e muitas comissões de análise e estudo das propostas.

A diferença entre as duas casas não é só de representação. Cada uma delas tem competências específicas, mas complementares. De novo, não cabe neste texto o detalhamento das competências de cada casa – se tiver curiosidade, dá uma olhada nos artigos 49, 51 e 52 da Constituição Federal e mata a curiosidade. O que eu quero fazer, mesmo, é chamar a atenção para uma informação um pouco menos óbvia e que normalmente passa despercebida: o Poder Legislativo possui poderes que vão muito além da produção de leis.

Além das atribuições legislativas, o Poder Legislativo tem atribuições de fiscalização, controle e julgamento. Nelas estão incluídos os seguintes:

(i) Poder de pedir informações de quaisquer órgãos subordinados à Presidência da República (sendo que se tal órgão desobedecer o pedido, isso pode ser considerado crime de responsabilidade);

(ii) Formação de comissões parlamentares de inquérito – as famosas CPI –, que possuem poderes de investigação iguais das autoridades judiciais;

(iii) Controle das contas da Presidência da República, com ajuda do Tribunal de Contas;

(iv) Fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo;

(v) Julgamento de crimes de responsabilidade do Presidente da República, Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Procurador-Geral da República e do Advogado-Geral da União (um crime de responsabilidade é aquele que atenta contra a Constituição Federal); e

(vi) Aprovação do orçamento anual e planejamento plurianual, que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para investimentos e para a manutenção de programas de duração continuada.

Essas competências tão displicentemente ignoradas por nós evidenciam como estamos errados em superestimar o Presidente da República, pois ele deveria ser devidamente controlado pelo Poder Legislativo.

E como estamos ainda mais errados em subestimar o Poder Legislativo, pois ele é o Poder que pode de fato obrigar o Presidente da República a agir conforme o ordenamento nacional e, em última instância, conforme os interesses da população.

A existência desses poderes de fiscalização é o principal motivo pelo qual entendo que um Legislativo politicamente controlado pelo Executivo não pode dar coisa boa, pois, neste cenário, o Executivo, que já concentra uma enorme liberdade de ação, age com a certeza de que não terá suas decisões questionadas.

A compra de apoio político é tema dos mais relevantes em teoria política e ocorre nas mais diversas formas, como, por exemplo: coligações partidárias para obter maior tempo de televisão, loteamento de cargos públicos de primeiro e segundo escalão, promessa de obras em nichos eleitorais específicos e, até mesmo, dinheiro vivo.

Honestamente, não vejo muita diferença entre vender apoio político em troca de cargo na administração pública ou de dinheiro – ambas são deturpações da função política do Poder Legislativo e evidenciam como os políticos se apropriam do cargo e o usam em benefício próprio ou do partido.

Apenas para finalizar as considerações básicas sobre o Legislativo, o sistema bicameral normalmente é criticado por ser um modelo pouco favorável a reformas. Isso porque o veto a uma mudança legislativa, ou mesmo a postergação de sua análise para um futuro incerto, é politicamente mais fácil no Senado (pois há menos pessoas envolvidas), do que na Câmara dos Deputados (um ambiente com mais agentes políticos). Se houvesse somente uma casa legislativa, numerosa, esse manejo político seria um pouco mais trabalhoso.

Seguindo, como funciona o Executivo

Gabinete presidencial no Palácio do Planalto | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Finalizado o Poder Legislativo, passemos para o Poder Executivo, que é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.

No nosso sistema presidencialista, a Presidência acumula funções de chefia de Estado, relacionadas principalmente a relações internacionais, e de chefia de governo, referentes a questões internas.

É este o Poder que determina onde serão investidos os recursos do país, separa quais áreas serão priorizadas, desenvolve e aplica políticas públicas e executa as leis criadas pelo Poder Legislativo. Pela sua própria natureza, o Poder Executivo possui bastante discricionariedade – forma de agir onde não há no agente qualquer restrição ou limite – em suas atividades, motivo pelo qual seria saudável sua constante fiscalização por parte do Legislativo e do Judiciário.

Diante de tamanha liberdade de ação, perceba como é importante fazer a escolha do chefe do Poder Executivo com base nos programas de governo que os candidatos divulgam, pois, em tese, eles representam a visão que o político tem para o país. Você pode até simpatizar mais com um candidato do que com outro, mas, afora a simpatia, você compartilha de sua visão de país?

Antes disso: você já refletiu sobre suas próprias preferências políticas?

Você pode escolher, por exemplo, dar mais relevância à economia, às relações internacionais, à desigualdade social, aos direitos humanos ou ao meio ambiente, e então escolher o candidato que mais se alinha com suas preferências.

Quando estiver refletindo sobre suas preferências políticas, seja realista: os recursos do país são finitos e não dão conta de tratar de todos os temas de forma satisfatória, por isso preferências devem ser escolhidas. Se você defende a redução de impostos, saiba que isso afetará a qualidade dos serviços públicos; se você almeja a redução da inflação, saiba que isso reduz o crescimento e pode aumentar o desemprego.

Discutir política de forma madura é adotar posições e suportar prós e contras (aliás, não seria maturidade a capacidade de realizar escolhas conscientes e bancar suas consequências?). Defender educação em período integral, saúde de primeiro mundo, redução da inflação, crescimento econômico de dois dígitos, diminuição dos tributos e fim da desigualdade social, assim, tudo junto, não dá. Ninguém disse que é fácil, mas, para você se definir politicamente, você precisa fazer escolhas e ter preferências.

Sinceramente, o Poder Executivo é menos interessante para mim, pois se apresenta como um grande administrador (e, lembrem-se, eu sou jurista; para os politólogos, a coisa é diferente).

Como cidadão, procuro me inteirar sobre quais políticas estão sendo executadas, quais as prioridades de investimento e quais os rumos que o Presidente aponta para o país, tentando fazer uma constante avaliação de acordo com a minha escala de preferências. Mas isso sou eu, e estou aberto a sugestões.

Por fim, como é o Judiciário

Supremo Tribunal Federal

No esforço de tratar da separação dos Poderes de forma sucinta, passemos já para o Poder Judiciário, cuja principal função é resolver conflitos de interesse nos casos concretos, com base no ordenamento jurídico.

Assim, quando houver divergência sobre quem está errado e quem está certo, o Judiciário deve ser acionado e a ele cabe resolver a pendenga. O que ele decidiu, está decidido, e pronto.

O julgamento de um conflito por uma parte imparcial é um importante meio de pacificação social, pois evita que a discussão sobre determinado assunto se perdure infinitamente no tempo e impõe um fim, com uma solução que deve ser considerada correta.

O Judiciário tem diversos órgãos com diferentes competências, conhecidos por um monte de siglas. Vou quebrar seu galho e fazer um resumão para que você não se sinta muito perdido lendo o caderno de política:

(i) STF, ou Supremo Tribunal Federal, que é a cúpula do Poder Judiciário e tem como objetivo primordial a defesa da Constituição Federal e da Federação.

(ii) STJ, ou Superior Tribunal de Justiça, cuja principal função é proteger a incolumidade das leis federais;

(iii) TST, ou Tribunal Superior do Trabalho, que é a última instância para julgamentos referentes a relações de trabalho;

(iv) TSE, ou Tribunal Superior Eleitoral, que julga conflitos referentes ao direito político-eleitoral; e

(v) Superior Tribunal Militar, que se ocupa dos crimes militares.

Esses são os órgãos de cúpula, ou seja, as últimas instâncias de decisão sobre os respectivos assuntos.

Eles também têm competências específicas para julgar ocupantes de determinados cargos políticos que, por sua relevância, não seguem o caminho normal do processo. Assim, por exemplo, o STF deve julgar os crimes do Presidente da República (lembrando que os crimes de responsabilidades são julgados pelo Legislativo), dos membros do Congresso Nacional e seus próprios ministros, enquanto que o STJ julga os crimes comuns dos Governadores.

O Poder Judiciário, seguindo a lógica do Federalismo, também se divide em Federal, para os assuntos que envolvem interesses nacionais, e em Estadual, para aqueles temas de impacto local. Por isso há os Tribunais Regionais Federais e os Tribunais de Justiça, estes últimos em âmbito estadual. A divisão não é exatamente assim, mas essa é a ideia geral que eu gostaria que você levasse deste texto.

O Judiciário é um excelente instrumento político a ser utilizado pelo cidadão. Isso porque, se você sofrer restrição ilegal de seus direitos por parte da administração pública, por exemplo, você pode ingressar no Judiciário para que ele a force a cumprir a lei. Acredite, a administração pública, em todos os níveis federativos, adota ordinariamente procedimentos que ilegalmente afetam os direitos dos cidadãos, e você precisa lutar contra isso.

Cobrança de tributos de pessoas erradas, retenção de informação pessoal do cidadão, concessão de benefícios previdenciários em desacordo com a legislação vigente, é tanta coisa que até inventaram o “mandado de segurança”, que é uma ação especial contra atos ilegais de autoridades.

E embora seja o saco predileto de pancadas do Judiciário, não é só contra o Executivo que o Judiciário pode atuar. Se o Legislativo fizer corpo mole e deixar de legislar sobre determinado assunto, deixando-o sem regulamentação em detrimento dos direitos do cidadão, ele pode ordenar-lhe que tome providências. É importante notar, porém, que o Judiciário nunca age por si: ele precisa ser provocado por alguém para poder tomar uma decisão.

E embora seja o saco predileto de pancadas do Judiciário, não é só contra o Executivo que o Judiciário pode atuar. Se o Legislativo fizer corpo mole e deixar de legislar sobre determinado assunto, deixando-o sem regulamentação em detrimento dos direitos do cidadão, ele pode conceder direitos aos indivíduos mesmo sem a regulamentação do Legislativo. É importante notar, porém, que o Judiciário nunca age por si: ele precisa ser provocado por alguém para poder tomar uma decisão.

Enfim, eu, sendo advogado atuante, tenho um monte – sério, um MONTE – de considerações sobre o sistema judiciário brasileiro que, assim como outros tantos temas, ficarão para depois, mas espero que essas noções básicas ajudem a clarear um pouco as coisas.

Final?

the-end

Chegamos, assim, ao fim provisório dessa série para entender política, que pretendeu dar um panorama geral da organização do nosso país do ponto de vista jurídico de uma forma descontraída e simples. Pelo tanto de pontas sem desfecho que eu deixei nos textos, parece que eu previ inconscientemente uma vontade de continuar a escrever.

Por ora, queria agradecer ao PapodeHomem, pela edição cuidadosa dos textos, e à TJ, revisora particular das mais valiosas. Todos os textos foram escritos com base do Curso de Direito Constitucional Positivo do José Afonso da Silva, um clássico de fácil leitura que recomendo para quem quiser se aprofundar nos temas tratados.

Fonte: http://papodehomem.com.br/como-funcionam-ou-deveriam-funcionar-os-tres-poderes-legistativo-executivo-e-judiciario/

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Segundo CNT, apenas 12% das rodovias brasileiras são pavimentadas

RODOVIAS

Apenas 12% das rodovias do País são pavimentadas segundo estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgado nesta quinta-feira (16), em Brasília. Foram analisados 98,4 mil quilômetros de rodovias em todo o Brasil, o que equivale a toda malha federal e os principais trechos estaduais pavimentados do País. Na pesquisa desse ano, houve um acréscimo de 1.761 km – 1,8% – em relação a 2013.

De acordo com a CNT, foram verificados 289 pontos críticos como queda de barreiras, pontes caídas, erosões e buracos grandes nas pistas. O número aumentou em relação ao ano passado, quando foram identificados 250 locais de risco. Nos últimos quatro anos o número aumentou 32%.

Os dados também apontam que 60% das pistas têm acostamento. Entretanto, o porcentual de estradas que apresentaram problemas diminuiu de 63,8% em 2013, para 62,1% neste ano. De acordo com o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, a melhora não representa um avanço significativo na qualidade da malha rodoviária. Ele avalia que seria necessário o investimento de R$ 293,8 bilhões por ano nas rodovias do País para sanar os problemas.

– Elas [estradas] melhoraram muito discretamente. A análise que mais preocupa o setor hoje é que dentro do período mais longo as rodovias brasileiras não sofreram nenhuma melhora qualitativa de grande vulto.

Batista ainda associou a qualidade das vias com o número de acidentes e mortes ocorridos em estradas de todo o País. De acordo com dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) foram registrados 186.581 acidentes em rodovias em 2013.

— Hoje ainda se verifica um número bastante grande de pontos críticos, grandes extensões com desgaste do pavimento. Isso tem contribuído muito para o número de mortes no Brasil, só no ano passado foram mais de 8 mil mortes, e para o acréscimo de custos no setor de transportes.

Concessões X Públicas

De acordo com a pesqui7sa, 74,1% dos trechos concedidos foram classificados como ótimo ou bom. Nas estradas públicas esse percentual é de 29,3%. A qualidade do pavimento em estradas onde são cobrados pedágios também é superior aos trechos geridos pelo governo. Em estradas privatizadas, 79,5% do asfalto foi avaliado como bom ou ótimo. Já nas públicas a porcentagem alcança 43,1%.

Sinalização

Segundo a CNT, 88% das placas são legíveis e somente 10,3% estão desgastadas. Em 82,3% dos casos o mato não atrapalha a visibilidade em apenas 8,7% a visão do motorista é prejudicada. Já a situação das faixas a situação piora. A pintura das faixas centrais das rodovias está visível em 52,4% da extensão. A porcentagem cai para 44,2% nas faixas laterais.

Via: R7

FONTE: PN Mídia
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o Projeto Pelotão Mirim de 2014 em Lábrea-AM

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Depois da primeira etapa da reunião que foi feita com os pais das crianças e adolescentes no dia 10/07/2014 na Quadra Poliesportiva Rei Pelé no bairro de Fátima, avançou para a segunda etapa, o treinamento dos que foram selecionados para o Projeto Pelotão Mirim de 2014,que foi usado o critério da criança estar em frequência nas escolas e ter boas notas.

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O projeto é dirigido pelo comandante Tenente Laurênio Comandante da 4ª CIPM/Lábrea (GUARDIÕES DO PURUS), tendo a ajuda na condução dos trabalhos o Sargento Lima, Sargento Sobral e os Soldados Bruno e Souza.

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Em entrevista o Comandante diz que a criação tem a finalidade específica é ajudar as crianças Labreensse a ficarem longe da marginalidade e principalmente das drogas que vem assolando e tirando os valores do nosso município, é um trabalho ostensivo da Polícia Militar e consequente na diminuição dos índices de violência.

Também há um compromisso pronunciado em publico na reunião da Quadra Poliesportiva Rei Pelé de uma autoridade do município, que o local usado como sede do Pelotão Mirim será o Clube Municipal que está sendo reformado.

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Também em momento oportuno do treinamento de sábado dia11/10/2014, véspera do dia das crianças foram distribuídos brinquedos para as crianças.

Queremos destacar que por entrevista com o Comandante,ele nos disse que a reforma no municipal já foi feita e as crianças já estão utilizando o local.
A formatura dos Mirins está marcada para o dia 15 de novembro de 2014

É a Policia Militar interagindo com a sociedade Labreense.

Por: Vazos do Purus

 

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Melo coloca 12 pontos na frente de Braga

damelo

A primeira pesquisa do segundo turno revela    o governador José Melo na frente.

Os números   da DMP/Rede Tiradentes aponta  José Melo 56,4 X 43,6 Eduardo Braga.

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 9 de outubro, com 2058 entrevistas na capital e interior. Foi registrada no TRE-AM com o número 0054/2014.

titadente

 

Fonte: portaldoholanda.com.br/amazonas/melo-coloca-12-pontos-na-frente-de-braga#sthash.3Qx7pfez.dpbs

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Confira um pouco da votação presidencial no exterior

 

 

presidenciaveis no interior

No mapa-múndi da votação dos brasileiros no exterior, o candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, conquistou a maior proporção dos votos em quatro continentes (Américas, Europa, Ásia e Oceania).

Um levantamento da BBC Brasil a partir dos resultados do primeiro turno das eleições revela que Aécio foi o mais votado em 58 nações, a presidente Dilma Rousseff (PT), em 14, e Marina Silva (PSB), em 13.

Se Aécio dominou a votação em quatro continentes, Marina Silva dominou o eleitorado na África. Já Dilma Rousseff não obteve maioria em nenhuma macrorregião do globo.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 141.501 dos eleitores brasileiros (40% do total de 353.504 cadastrados) que vivem no exterior foram às urnas no último domingo passado em 132 cidades de 88 países. Os votos depositados no exterior representam apenas 0,12% do total de 115 milhões de votos computados no primeiro turno.

Em vários países, o número de eleitores foi bem pequeno, o que permitiu uma série de resultados curiosos. O tucano e a petista tiveram o mesmo número de votos na República Democrática do Congo (7 para cada), enquanto a candidata à reeleição e a ex-senadora empataram em Angola (32 para cada).

Todos os três principais candidatos à presidência tiveram o mesmo número de votos em apenas um país do mundo: Jamaica, onde apenas nove pessoas foram às urnas.

Outro resultado curioso é que, se dependesse apenas dos votos dos brasileiros na Venezuela – país de governo socialista e próximo ao PT – , Aécio teria sido eleito já no primeiro turno. Ele obteve 52,2% dos 728 votos de brasileiros no país; Dilma obteve 30,2% e Marina 15,7%.

Já em Cuba, Aécio recebeu apenas 8% dos votos, contra 84% dados a Dilma e 6% a Marina.

Queda de Dilma

Do total dos votos de brasileiros no exterior, Aécio ficou com 49,51%, seguido de Marina, 26,01%, e Dilma, com 18,35%.

O que mais chama a atenção na comparação com o resultado em 2010 é a queda acentuada na proporção dos votos em Dilma no exterior. Em 2010, ela obteve no primeiro turno 36,81% dos votos, o dobro do que obteve no domingo.

Marina foi melhor dessa vez – teve 20,43% em 2010 – e Aécio também superou o desempenho de José Serra, candidato de seu partido na corrida anterior, que obteve 40,25% no primeiro turno.

No domingo, Luciana Genro, Eduardo Jorge, Pastor Everaldo, Zé Maria, Levy Fidelix, Eymael, Mauro Iasi e Rui Costa Pimenta completaram, nessa ordem, a lista de preferência dos eleitores no exterior.

Nos países com os maiores colégios eleitorais no exterior, também deu Aécio. Ele levou 58,72% dos votos nos Estados Unidos (de total de 37.111 votos) e 58,41 no Japão. Marina levou 26,71% e 23,49% respectivamente. Dilma ficou com 10,69% e 10,61%.

Curiosidades

Marina foi a candidata que liderou a preferência dos eleitores na África. A ex-senadora venceu em seis países, contra quatro de Dilma e apenas dois de Aécio. Marina e Dilma tiveram o mesmo número de votos em Angola. Já Aécio e Dilma empataram na República Democrática do Congo.

Na Europa, Ásia, Américas e Oceania, o tucano venceu em mais países. No continente europeu, Aécio foi o preferido do eleitorado brasileiro em 21 países, contra três de Marina (Romênia, Rússia e Noruega) e apenas um de Dilma (Eslovênia).

Na Ásia, o tucano venceu em 16 países, incluindo Japão e China. Já Marina conquistou três (Timor Leste, Índia e Irã) e Dilma apenas dois (Jordânia e Palestina).

Na Oceania, Aécio ganhou mais votos tanto na Austrália quanto na Nova Zelândia.

A disputa mais acirrada ocorreu nas Américas, principalmente na América Latina. Aécio venceu em 17 países, entre eles a Venezuela binclusive na Venezuela.

Já Dilma conquistou sete, como Argentina e Cuba.

Marina, por sua vez, foi a preferida dos eleitores em apenas um país: Suriname.

Todos os três candidatos tiveram a mesma votação na Jamaica.

Aécio teve a maior proporção de votos em Cingapura (74,56%) e a menor em Cuba (8%). O tucano também teve votação pouco expressiva em Cabo Verde (7,89%) e na Palestina (10,84%).

O cenário se inverteu com Dilma. A petista foi, proporcionalmente, a mais votada em Cuba (84%) e a menos votada em Cingapura (3,51%). A presidente teve ainda um mau desempenho em Israel (7,46%) e na Tunísia (3,70%). No país africano, votaram apenas 27 pessoas, e Dilma, com apenas um voto, ficou atrás de Luciana Genro e Eduardo Jorge, que tiveram dois.

Já Marina teve a maior proporção de votos na Romênia (61,90%) e a menor na Croácia (5%).

Via: R7

FONTE: PN Mídia
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